terça-feira, 24 de outubro de 2017

Frente Parlamentar, SindBancários e Fetrafi-RS estudam ação jurídica para enfrentar desmonte e venda de ações do Banrisul

Instalada em um ato histórico em 22 de maço passado, no Teatro Dante Barone, a Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público se reuniu na manhã da terça-feira, 17/10, para traçar estratégias de enfrentamento ao novo cenário que ameaça o banco público dos gaúchos. Em reunião, na Assembleia Legislativa, deputados estaduais que compõem a Frente Parlamentar junto com dirigentes sindicais e assessores jurídicos do SindBancários e da Fetrafi-RS definiram a criação de um Coletivo Jurídico para estudar formas de barrar juridicamente o desmonte do Banrisul e a venda de ações ordinárias do Estado.
A reunião foi uma resposta ao anúncio de fechamento de nove agências do Banrisul fora do Estado, a chamada reestruturação promovida pela diretoria do banco em parceria com o governo do Estado. Trata-se do o primeiro passo do desmonte do Banrsiul para facilitar uma possível venda. Assessores jurídicos das entidades sindicais e dos deputados estaduais que compõem a Frente fecharam questão sobre o fato de que o governo do Estado terá que se submeter ao plenário da Assembleia Legislativa para obter autorização para vender ações do Banrisul.
O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, explicou que a reunião foi chamada para que houvesse um debate sobre o novo contexto que envolve o desmonte do Banrisul. “É consenso entre nós que o desmonte é uma preparação para a venda. Além disso, está claro que o fechamento de agências fora do Estado, assim como a venda de ações, são lesivos ao banco, ao Estado e ao povo gaúcho. Criamos o Coletivo Jurídico para estudar e buscar dar andamento a todas as ações possíveis para brecar o desmonte e a venda de ações do Banrisul. Entendemos que o governo do Estado precisa de autorização da Assembleia Legislativa para vender ações do Banriusl”, explicou Gimenis, referindo-se ao artigo 22 da Constituição Estadual.
Outra iniciativa que será novamente realizada é ampliar o contato com a sociedade para mostrar a importância do Banrisul público através de campanhas de comunicação e contato direto com clientes e a população que é beneficiada pelo banco. Por isso a Frente irá entrar em contato com a Famurs (Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul) e com a Uvergs (União dos Vereadores do Rio Grande do Sul).
Além do coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público, deputados estadual Zé Nunes (PT), participaram da reunião os deputados estaduais Juliano Roso (PCdoB), Tarcísio Zimmermann (PT), Jeferson Fernandes (PT), Pedro Ruas (PSOL) e representantes de deputados que integram a Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público.
Também será solicitada reunião com o presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, para buscar esclarecimentos sobre o processo de desmonte a que o banco vem sendo submetido no atual governo. Além da abertura do capital, o governo pretende encerrar serviços, agências e postos de atendimento em todo o país e informações ainda extraoficiais dão conta de que agências gaúchas serão transformadas em salas de autoatendimento.
Venda das ações do Banrisul em números
A venda das ações reduziria de 57% para 26% a participação do Estado no banco e de metade dos lucros auferidos atualmente. A última venda de ações do Banrisul ocorreu durante o governo Yeda, em julho de 2007. Segundo o Tribunal de Contas, a medida rendeu R$ 800 milhões ao banco
e R$ 1,29 bilhão ao Estado, em valores da época, e cerca de R$ 1,44 bilhão e R$ 2,16 bilhões em valores atuais.
Antes disso, o Estado do Rio Grande Sul tinha 99,4% do capital total do Banrisul. Após, passou a ter 56,97% e perdeu cerca de 43% dos dividendos e lucros distribuídos pelo Banrisul a seus acionistas. Em dez anos, o Estado recebeu do Banrisul R$ 1,95 bilhão em lucros e dividendos (57% do capital). No entanto, se mantivesse 100% do capital teria recebido R$ 3,68 bilhões. A sociedade gaúcha, portanto, já perdeu R$ 1,73 bilhão com a venda de 2007.
A partir destes dados, pode-se concluir que, na última década, caso a sociedade gaúcha tivesse 26% do capital do Banco, teria recebido apenas R$ 956 milhões em juros e lucros, tendo perdido no período R$ 2,72 milhões caso mantivesse o controle integral do Banco. A Frente Parlamentar foi lançada em março deste ano para defender o caráter público do banco, presente em 347 municípios do RS.
Em 96 cidades, é a única agência bancária disponível. Com patrimônio líquido de R$ 6,7 bilhões, o banco apresentou lucro de R$ 643,5 milhões em 2016 e atende pessoas de baixa e média renda, que são maioria em sua carteira de clientes.
Mobilização com servidores públicos em defesa do Banrisul
Se o dia foi de os servidores públicos foi de protesto contra o parcelamento de salários e de manifestação em defesa da greve dos professores estaduais, também foi de ato em frente a Agência Central do Banrisul, na Praça da Alfândega. O caráter público do Banrisul e a defesa dos direitos dos servidores estiveram na pauta.
A diretora de cultura do SindBancáiros, Ana Guimaraens, explicou que o ato teve o objetivo de denunciar o desmonte do Banrisul e o negócio lesivo para o banco que será uma eventual venda de ações ordinárias que o Estado detém no banco público dos gaúchos. “Recebemos o apoio dos servidores públicos porque estamos todos no mesmo barco. O processo de reestruturação do Banrisul e a venda de ações são um mau negócio para todos. Os Banrisulenses não estão realizando apenas uma ação de mobilização corporativa de defesa dos seus direitos, mas também de defesa de um banco que ajuda o Estado a crescer e a se desenvolver”, avaliou Ana.
Fonte: Imprensa SindBancários, com Denise Ritter, da Assessoria de Imprensa do deputado Zé Nunes

Nenhum comentário:

Postar um comentário