terça-feira, 21 de abril de 2015

Concurso Banrisul 2015 Suspenso

Banrisul deve priorizar o mercado, afirma Sartori

Governador quer o banco 'sem escrúpulos e falsas ideologias'

A posse era do novo presidente do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, 37 anos de casa. E sobrou para Gonzaga tentar explicar a frase no discurso do governador José Ivo Sartori, sobre o que a maior autoridade estadual espera da gestão do primeiro funcionário na história do banco a ocupar o posto. Sartori disse para convidados que se apertavam em meio ao salão lotado do quarto andar do edifício-sede da instituição, no Centro de Porto Alegre: "O banco deve dar prioridade ao mercado, sem escrúpulos, sem falso comprometimento ideológico".
Questionado depois por jornalistas sobre a declaração, Gonzaga reagiu com surpresa. "Não sei lhe dizer o que ele quis dizer. O governador afirmou que o banco tem de ser inserido nas comunidades. Isso será a nossa tônica, um banco moderno eficiente e da comunidade", reagiu o recém-empossado. Sartori chegou a exaltar a pecha de "bancos dos gaúchos".

O governador também foi enfático, já no fim do seu discurso, que espera "trabalho, resultado e rentabilidade" da gestão e que "tem de vencer por sua própria competência", e atentou que quer o melhor para o banco. Para Sartori, a instituição evoluiu, mas terá de enfrentar dificuldades, impostas por uma crise estrutural, que abrange "o Brasil, a Europa, os pequenos municípios e todos os estados". O chefe do governo preveniu que será inevitável que a instituição se adapte, o que poderá implicar em "repensar metas, produtos e posicionamentos".

Gonzaga admitiu que poderão ser revistas projeções de crescimento da carteira de crédito em 2015. O chamado guidance (divulgado pela instituição no fim de cada ano e que pauta investidores e mercado) é composto por estimativas em todos os grandes indicadores da operação.

Segundo o presidente, o desempenho até março (que deve ser detalhado no balanço trimestral) foi "moderado". "Cresce pouco, não vai seguir em taxas de 20% este ano, deve ficar em 10% ou um pouco menos, seguindo o mercado como um todo", explicou o presidente. A atividade econômica menos aquecida reduz a demanda. As linhas para empresas mostram maior vigor, enquanto no pessoal, é o consignado. Já está sendo adotado maior rigor na concessão de financiamentos, por exemplos.

Outra medida que ele apontou foi a criação de uma superintendência exclusiva para cuidar da governança corporativa. Listado no Nível 1 da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), Gonzaga justificou que a medida atende à preocupação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em ampliar instrumentos de controle. Gonzaga negou ainda qualquer intenção de venda da seguradora, operação criada em 2014, em uma associação com a seguradora Icatu. O segmento é um dos que mais cresce. "Não, não, não. É uma empresa que está começando agora e não tem nenhum plano", referindo-se a eventual oferta.

Nas medidas para resolver a crise financeira do Estado, um grupo que analisa a possibilidade de venda de estatais teria incluído a seguradora e o braço de cartões de crédito, também novato na estrutura da organização. O Estado é acionista majoritário. A privatização precisa do aval da Assembleia Legislativa.

Diretoria profissional contrariou as bases políticas

Dos nove diretores, sete são de carreira do banco e dois oriundos do sistema financeiro (Irany de Oliveira Sant'Anna Júnior, do Banco Central, e Júlio Francisco Gregory Brunet, da Fazenda Estadual). Dos quadros da instituição, ocupam diretorias Suzana Flores Cogo (diretoria Administrativa), Leodir Antonio Araldi (comercial), Oberdan Celestino de Almeida (crédito), Jorge Luiz Oliveira Loureiro (administração de recursos de terceiros), Jorge Fernando Krug Santos (tecnologia da informação) e Ricardo Hingel (financeira e relações com investidores). Sartori admitiu que enfrentou dificuldades entre colegas da base política ao optar por uma formação que, segundo ele, seria "mais profissional".

O presidente que se despediu do cargo, Túlio Zamin, entregando o segundo mandato no banco (o primeiro foi entre 1999 e 2002, no governo petista de Olívio Dutra), destacou a evolução na trajetória de quatro anos e lembrou que, no período, a instituição atravessou mudanças, como pressão do governo para bancos baixarem spreads. "Fomos ousados e corajosos, abrimos frentes delicadas e sensíveis em um momento de transição", pontuou Zamin. Ele listou a criação da seguradora e da administradora de cartões, a mudança da bandeira de adquirência (Banricompras para Vero) e o acordo com a Bem-Vindo, em consignados.

Além disso, apontou a busca para reduzir a despesa para cobrir o caixa da previdência dos empregados. Algumas medidas da gestão que saiu, como aumento de pessoal e de unidades, respingou na queda de 12,7% no lucro líquido. Para alcançar melhor resultado este ano, Gonzaga vai usar o que pode da estrutura atual. Por isso, a realização de novo concurso para o quadro foi suspensa.


.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário